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terça-feira, julho 05, 2011

Dando tempo ao tempo

O domingo (3) foi movimentado esportivamente falando. Primeiro, uma vitória primorosa do sérvio Novak Djokovic em cima de Rafael Nadal na final de Wimbledon (está certo que o enfoque do blog DJ não é tênis, mas vale lembrar).

Depois, no comecinho da tarde (horário de Brasília) aconteceu o menos provável: uma vitória elástica da seleção brasileira feminina de futebol sobre a forte Noruega - 3 a 0. A propósito, foi contra a adversária mais forte da seleção na fase de grupos.



Isso prova a teoria de que tempo não só significa dinheiro, mas também resultado. Resultado de trabalho e planejamento bem feitos, méritos do técnico Kleiton Lima. E ontem as onze jogadoras fizeram uma prévia do potencial que têm para ir longe.

Wolfsburg foi o palco de uma apresentação convincente que garantiu seis pontos no Grupo D para as brasileiras. O primeiro gol foi aos 21 minutos da primeira etapa, quando Marta pedalou para cima da zagueira Holstad e chutou no canto esquerdo do gol. Foi o primeiro gol da melhor do mundo pela FIFA.

No segundo tempo, quem imaginou que a Noruega reagiria ao placar desfavorável se enganou. Aparentemente o time de Eli Landsem parecia bastante apático, situação favorável para a seleção brasileira literalmente deitar e rolar - no quesito de criação de jogadas. Logo no começo da segunda etapa, Rosana marcou o segundo gol após uma bela assistência de Marta. É o segundo gol da atacante no mundial.

O terceiro gol foi logo no terceiro minuto, quando a própria zaga norueguesa falhou deixando Cristiane cara a cara com a goleira Hjelmseth, e Marta aproveitou o rebote.

Com essa superação diante da Noruega em relação ao primeiro jogo (contra a Austrália), quem sabe Kleiton Lima não possa fazer uma caridade à Mano Menezes e emprestar alguma de suas jogadoras num futuro bem próximo?

segunda-feira, julho 04, 2011

Zàijiàn, Conca!

Foram muitas declarações de amor durante pouco mais de três anos.

Conca após gol contra o Boca Juniors na Libertadores
Depois de uma excelente campanha na Libertadores 2008, o argentino Darío Leonardo Conca deixaria um pouco da sua timidez de lado para dizer “eu te amo” para o Fluminense. Em português e castelhano.

Em 2009, quando o time estava prestes a pegar a rota definitiva para o descenso no Campeonato Brasileiro, manteve sua fidelidade em permanecer e ajudar o Fluminense a se manter na Série A. Bem naquela última – e tensa, diga-se de passagem – partida contra o Coritiba no Couto Pereira, este depredado por alguns insanos “torcedores” locais que viram o time paranaense ser rebaixado em pleno ano de centenário.

Em 2010, atingiu o apogeu da sua carreira no clube vencendo o Brasileirão. Além de se tornar o melhor jogador do ano, esteve presente nas 39 partidas da competição sem se lesionar ou receber suspensão por cartão amarelo ou vermelho.

Depois de algumas semanas após a saída do técnico Muricy Ramalho, neste ano, repetiu mais uma vez seu sentimento pelo clube das cores verde, branca e grená:

“Nunca amei nenhum clube como amo o Flu”

Acontece que essa declaração não impediu o argentino de assinar um milionário contrato com o clube mais tradicional da China: o Guangzhou Evergrande, atual campeão da segunda divisão do campeonato nacional deles.

Não foi um empecilho porque a proposta de salário o tornará “somente” o 3º jogador mais bem pago do futebol mundial – só perde, mesmo, para Messi e Cristiano Ronaldo, ambos jogando na Espanha.

Conca está sendo mercenário? Essa pergunta é difícil responder. Só ele sabe o que está sentindo em relação a trocar de time.

Mas uma coisa é certa: a dedicação e paixão que demonstrou ao jogar nesses três anos pelo tricolor carioca não foi encenação de filme B. Ele nunca foi uma pessoa que precisou provar.

Provar que era o melhor meio campo do Fluminense. Que fazia ótima parceria com o ex-colega Thiago Neves (agora no Flamengo) na armação de jogadas. Que, diferente desse mesmo atleta, que vacilou ao assinar um pré-contrato com o Palmeiras em 2007 sem obedecer as regras referentes à Lei Pelé e ainda foi parar no time rival neste ano, foi correto como pessoa.

Mas principalmente porque não precisou provar o merecimento da camisa 10, muito menos em ser ídolo. Porque conquistou gradativamente. Com os pés. O que é difícil, pois hoje em dia no Brasil o jogador faz primeiro o nome e, depois, tenta justificá-lo.

E para justificar é que complica...

Sobre o quanto Conca vai receber por mês, ele tem o direito de ganhar mais, sim. Todos sabem, mas às vezes esquecem: carreira de jogador é curta. Garantir milhões por pelo menos dois anos tira uma preocupação iminente de qualquer profissional que corre o risco de se lesionar e nunca mais pisar em campo.

“Ah, mas ele ganha bem no Fluminense”, alguns podem argumentar. Todo jogador ganha muito bem. Provavelmente muito melhor que eu e você, leitor, juntos.

O que os torcedores deveriam questionar sobre seus jogadores não é se saíram por dinheiro ou por outro motivo. O importante é a transparência e o histórico que apresentam. Se depender desses dois quesitos, portanto, o torcedor tricolor pode ficar tranquilo.

Afinal, não é qualquer jogador – ainda mais estrangeiro – que atuou com tanta garra e amor como fez Darío Conca.

Zàijiàn (tradução: adeus), Conca!

Ou melhor, até logo – em português bem claro, pois adeus é uma interjeição irreversível.

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Despedida do Conca (via @OficialFlu)



Observações:
*A grande questão com a saída do Conca será como a Unimed, patrocinadora do Flu, aplicará o dinheiro da rescisão. Em reforços? No pagamento da milionária dívida, uma das mais altas do Brasil? Ou na construção de um CT que ninguém sabe se é possível ter, pois no Rio de Janeiro há poucos espaços - e quando tem, são caríssimos? Por que não treinar em Xerém?
*Saindo Conca, o meia Souza ganha a responsabilidade do argentino. Na minha visão (e acredito que de quase toda a torcida) ele não substitui à altura, mas ao mesmo tempo penso que é a única solução imediata.

quinta-feira, junho 30, 2011

Rodada 7#

14 gols e a estreia dos atacantes Maikon Leite e Ciro, respectivamente, pelo Palmeiras e Fluminense. Esses foram os destaques dos jogos desta quinta (30) pela sétima rodada do Campeonato Brasileiro. A começar pelo Palmeiras, que veio de derrota para o Ceará, e deu o troco na mesma moeda: só que o alvo foi o Atlético-GO. E com direito a gol do atacante.



O time do técnico Felipão começou com mais posse de bola no início da partida, mas poucas chances de gol foram realmente consumadas. Aos 27 minutos do segundo tempo, uma boa jogada do volante Márcio Araújo fez toda a diferença para que Maikon Leite balançasse a rede. Uma estreia de gala – 1 a zero.

Ainda na primeira etapa, Bida derruba o zagueiro alviverde Gabriel Silva. O árbitro marcou pênalti, convertido por Marcos Assunção. 2 a 0 para o time da casa, aos 33 minutos.

No segundo tempo, o Atlético-GO até tentou reverter o placar marcando a saída de bola do Palmeiras. O técnico PC Gusmão chegou a fazer mudanças táticas na equipe, colocando Juninho e Rafael Cruz no lugar de Marcão e Adriano. Mas não adiantou. Placar final: 2 a 0.



Jogando no Engenhão, o Fluminense vence o Atlético-PR por 3 a 0. Essa é a primeira vitória do técnico Abel Braga na equipe tricolor (ele comandou dois jogos no Rio, e perdeu os dois para o Corinthians e Bahia).

No começo da partida, tanto o tricolor quanto o Furacão erraram muitos passes. Mas no final do primeiro tempo, o Fluminense reagiu. O lateral-direito Mariano estava dentro da área atleticana e recebeu para marcar o primeiro gol. Pouco tempo depois, aos 42 minutos, foi a vez do mais novo reforço marcar: 2 a 0, gol do atacante Ciro, que veio do Sport.

Na segunda etapa, Ciro foi oportunista: aos 13 minutos, aproveitou uma falha do zagueiro Rafael Santos para ampliar – 3 a 0.

Já no final, Edigar descontou para os paranaenses. E o placar final foi 3 a 1. Com o resultado, o Fluminense assume a 7ª colocação e deixa o Atlético-PR na lanterna da competição.



A partida Coritiba X Ceará foi marcada por muitos cartões (quatro amarelos para a equipe da casa contra três amarelos e um vermelho – o atacante Washington foi expulso – para a visitante). O Ceará, que ganhou do Palmeiras na última rodada, agora perde três pontos diante do Coritiba no Couto Pereira. 3 a 1 foi o placar da partida. Aos 32´, o atacante Leonardo fez o primeiro gol do jogo. Já Everton Costa fez o segundo, aos 35´.

No segundo tempo, o Coxa deixou o placar ainda mais elástico: 3 a 0 aos 9 minutos, gol de Léo Gago. Logo aos 11 minutos, no entanto, o time da carroça desgovernada desconta com gol de Washington, esse mesmo jogador que foi expulso após colocar o braço na bola no campo de ataque. Como o jogador já tinha recebido amarelo, foi preciso ir para o chuveiro mais cedo.

O Coritiba não só conquistou três pontos como subiu quatro posições na tabela. Agora assume a 14ª posição do Brasileiro.

Mas o massacre estava por vir na partida entre Atlético-MG X Internacional. E não foi a equipe da casa quem levou a melhor. Foi o Colorado que, impiedosamente, aplicou 4 a 0 no Galo, este que errou muitos passes durante o jogo. Os gols foram feitos no segundo tempo por Leandro Damião, Zé Roberto, D´Alessandro e Oscar.

Destaques: para as estreias de Maikon Leite, no Palmeiras, e de Ciro no Fluminense. O primeiro finalizou seis vezes e marcou um gol importante na vitória do time sobre o Atlético-GO. O alviverde permanece na terceira colocação com 14 pontos, mesma pontuação do Botafogo (que ontem venceu o São Paulo por 2 a 0 fora de casa). Já Ciro marca dois dos três gols da equipe tricolor, com direito a lágrimas após marcar o primeiro gol. Não se pode ignorar a goleada do Inter - ainda que o Atlético-MG tenha apresentado tamanha deficiência técnica, os méritos do Colorado não devem ser tirados.

Baixa: a segunda goleada sofrida pelo Atlético-MG, agora jogando em casa contra o Internacional. A batata do técnico Dorival Júnior está começando a borbulhar...

quarta-feira, junho 29, 2011

Quando vencer não é convencer

Quarta-feira, 29 de junho, Copa do Mundo 2011 de futebol feminino. Foi bem diferente de 2007, na China. Na ocasião, as meninas golearam a Nova Zelândia por 5 a 0, no primeiro jogo da fase de grupos.

Hoje (29), na estréia do Grupo D, o time do técnico Kleiton Lima enfrentou outra equipe da Oceania, a Austrália. Mas o placar foi magro – 1 a 0, graças ao bom domínio de bola da Rosana.

A verdade é que as australianas deram trabalho na marcação. No primeiro tempo, era difícil ver alguma jogada de ataque do Brasil.

Pelo contrário. Eram as adversárias que conseguiam preencher bem a lista de números de chutes a gol e de escanteios.

Analisando o contexto real dessa partida, o destaque verdadeiro no elenco brasileiro foi com certeza a goleira Andreia, que foi decisiva em alguns poucos (porém perigosos) lances de ataque.

Nem mesmo Marta, melhor jogadora do mundo segundo a FIFA, conseguiu se destacar. Com Callum, Butt e Van Egmond na marcação, a estrela brasileira sofreu e pouco produziu na partida. Tudo mudou mesmo no segundo tempo, quando o Brasil passou a assumir uma postura mais ofensiva.

Além disso, jogadoras, como a atacante Cristiane, apareceram mais para dar assistência.

Foi exatamente o que aconteceu no lance do único gol da partida – Cristiane driblou a defesa adversária, deixando Rosana [foto, vestindo a camisa do time Sky Blue FC-EUA] bem posicionada para marcar. Convenhamos – foi um gol bonito de ver.

Com a experiência que o grupo brasileiro tem, é evidente que Kleiton Lima precisa fazer mudanças para poder vencer a próxima partida contra a Noruega. Aliás, seleção essa tradicionalíssima na história do futebol feminino.

Mas dourando a pílula, o Brasil têm motivos para não se preocupar tanto.

Primeiro, porque a adversária que enfrentaram hoje não é tão fraca – a seleção da Oceania se destacou chegando às oitavas de final da Copa do Mundo de 2007.

E segundo, não menos importante, é o fato de que as brasileiras são comandadas por um técnico experiente e vitorioso.

Que chegue domingo, para que as meninas possam vencer e, finalmente, convencer. Convencer de que é possível se classificar para as oitavas e, quem sabe, ir para a final e conquistar um título inédito na história do esporte.