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segunda-feira, julho 04, 2011

Zàijiàn, Conca!

Foram muitas declarações de amor durante pouco mais de três anos.

Conca após gol contra o Boca Juniors na Libertadores
Depois de uma excelente campanha na Libertadores 2008, o argentino Darío Leonardo Conca deixaria um pouco da sua timidez de lado para dizer “eu te amo” para o Fluminense. Em português e castelhano.

Em 2009, quando o time estava prestes a pegar a rota definitiva para o descenso no Campeonato Brasileiro, manteve sua fidelidade em permanecer e ajudar o Fluminense a se manter na Série A. Bem naquela última – e tensa, diga-se de passagem – partida contra o Coritiba no Couto Pereira, este depredado por alguns insanos “torcedores” locais que viram o time paranaense ser rebaixado em pleno ano de centenário.

Em 2010, atingiu o apogeu da sua carreira no clube vencendo o Brasileirão. Além de se tornar o melhor jogador do ano, esteve presente nas 39 partidas da competição sem se lesionar ou receber suspensão por cartão amarelo ou vermelho.

Depois de algumas semanas após a saída do técnico Muricy Ramalho, neste ano, repetiu mais uma vez seu sentimento pelo clube das cores verde, branca e grená:

“Nunca amei nenhum clube como amo o Flu”

Acontece que essa declaração não impediu o argentino de assinar um milionário contrato com o clube mais tradicional da China: o Guangzhou Evergrande, atual campeão da segunda divisão do campeonato nacional deles.

Não foi um empecilho porque a proposta de salário o tornará “somente” o 3º jogador mais bem pago do futebol mundial – só perde, mesmo, para Messi e Cristiano Ronaldo, ambos jogando na Espanha.

Conca está sendo mercenário? Essa pergunta é difícil responder. Só ele sabe o que está sentindo em relação a trocar de time.

Mas uma coisa é certa: a dedicação e paixão que demonstrou ao jogar nesses três anos pelo tricolor carioca não foi encenação de filme B. Ele nunca foi uma pessoa que precisou provar.

Provar que era o melhor meio campo do Fluminense. Que fazia ótima parceria com o ex-colega Thiago Neves (agora no Flamengo) na armação de jogadas. Que, diferente desse mesmo atleta, que vacilou ao assinar um pré-contrato com o Palmeiras em 2007 sem obedecer as regras referentes à Lei Pelé e ainda foi parar no time rival neste ano, foi correto como pessoa.

Mas principalmente porque não precisou provar o merecimento da camisa 10, muito menos em ser ídolo. Porque conquistou gradativamente. Com os pés. O que é difícil, pois hoje em dia no Brasil o jogador faz primeiro o nome e, depois, tenta justificá-lo.

E para justificar é que complica...

Sobre o quanto Conca vai receber por mês, ele tem o direito de ganhar mais, sim. Todos sabem, mas às vezes esquecem: carreira de jogador é curta. Garantir milhões por pelo menos dois anos tira uma preocupação iminente de qualquer profissional que corre o risco de se lesionar e nunca mais pisar em campo.

“Ah, mas ele ganha bem no Fluminense”, alguns podem argumentar. Todo jogador ganha muito bem. Provavelmente muito melhor que eu e você, leitor, juntos.

O que os torcedores deveriam questionar sobre seus jogadores não é se saíram por dinheiro ou por outro motivo. O importante é a transparência e o histórico que apresentam. Se depender desses dois quesitos, portanto, o torcedor tricolor pode ficar tranquilo.

Afinal, não é qualquer jogador – ainda mais estrangeiro – que atuou com tanta garra e amor como fez Darío Conca.

Zàijiàn (tradução: adeus), Conca!

Ou melhor, até logo – em português bem claro, pois adeus é uma interjeição irreversível.

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Despedida do Conca (via @OficialFlu)



Observações:
*A grande questão com a saída do Conca será como a Unimed, patrocinadora do Flu, aplicará o dinheiro da rescisão. Em reforços? No pagamento da milionária dívida, uma das mais altas do Brasil? Ou na construção de um CT que ninguém sabe se é possível ter, pois no Rio de Janeiro há poucos espaços - e quando tem, são caríssimos? Por que não treinar em Xerém?
*Saindo Conca, o meia Souza ganha a responsabilidade do argentino. Na minha visão (e acredito que de quase toda a torcida) ele não substitui à altura, mas ao mesmo tempo penso que é a única solução imediata.

sábado, junho 25, 2011

"Soy Loco por Tri América"

Flickr Santos Futebol Clube

Quanto vale uma paixão? Até aonde o futebol deve influenciar na nossa vida? Afinal, é só um jogo.  Tenho consciência, só meu coração que não me obedece. Foi uma semana inteira de insônia, com o pensamento naquela noite. Na noite do dia 22 de junho de 2011. Na noite mais mágica da minha vida.

Ainda me lembro daquele Santos irregular do início do ano. Da queda de Adilson Batista. Da chegada que mudaria de vez a história do time. Muricy Ramalho assume. A equipe já virtualmente eliminada. Não podia nem empatar com Cerro Porteño, lá em Assunção. Eu via nos olhos dos meus amigos santistas a falta esperança.

Eu acreditei. Era o melhor técnico do Brasil comandando o melhor jogador do país. Esse foi Neymar, que comandou o time com uma personalidade invejável. Que calou os críticos, que encantou o mundo. Que foi o melhor jogador da Libertadores 2011.

Lembro como se fosse ontem do jovem goleiro Rafael dar uma volta olímpica na Vila Belmiro, após a conquista do Campeonato Paulista. Olhando para os torcedores e falando. “Agora é Libertadores. Continuem com a gente que nós vamos ganhar”. Eu continuei. Sofri e vibrei com cada lance, cada dividida, cada gol.

Rafael, que merece ser colocado como um dos grandes destaques. Foi um monstro nos momentos mais importantes. Assim como o criticado Durval, que calou muitas bocas, inclusive a minha.

Como foi bom ver Léo e Elano ganhando o título que faltava para eles. Meus ídolos, ainda da infância. Foi maravilhoso ver Paulo Henrique Ganso voltar a dar seus passes geniais. Incrível como ele pode resolver o jogo num toque.

Foi inacreditável ver a cidade de Santos comemorar um título que não chegava fazia muito tempo. Ver as pessoas na rua, chorando, gritando. Ver o Rei Pelé não conseguir segurar as lágrimas.

Ouvi uma vez do jornalista Paulo Vinícius Coelho que não é o futebol que perde a graça, é a gente que fica velho. Pois esse time do Santos nos transformou novamente em crianças. Fez esse torcedor crescido voltar a ser um moleque. Chorar como uma criança. E cantar, com mais orgulho do que nunca, que “Nascer, viver e no Santos morrer; É um orgulho que nem todos podem ter”